sexta-feira, 22 de março de 2013

Depois de tanto tempo sem postar, venho aqui rapidamente reiniciar nosso contato.Algumas pessoas que não nos conhecem, fazem perguntas, comparações (muitas vezes inconvenientes), mas segue abaixo, breve relato de nossa batalha por nossa linda filha.Espero que entendam.
Aos que nos acompanham: OBRIGADO, sem o apoio de vocês, seria mais cruel a espera...


" Casei-me no ano de 1992 e tinha dois únicos objetivos na vida: ser mãe e ser feliz... Se me perguntassem qual das duas opções eu queria: escolheria então ser mãe, pois sendo mãe seria também feliz.
Sonhava em ter muitos, muitos filhos: gerados em meu ventre e na minha alma...
Com o tempo descobri que eu não poderia gerar um ser em meu ventre, mas, o filho tão sonhado já estava sendo gerado na minha alma.
Começamos uma luta: sermos pais, de um filho gerado em meu ventre...
Após três anos de muito tratamento, muita espera, de sonhos e decepções, de alegrias e fantasias...
veio então a resposta definitiva: eu não poderia gerar meu filho em meu ventre...
Então, travei uma nova batalha, esta porém, muito mais árdua do que a primeira: vencer a depressão, o desânimo, a decepção...muitas lágrimas...
Venci!!!
Eu e meu marido então, decidimos: VAMOS ADOTAR NOSSO FILHO!!!!
Este, não será gerado em meu ventre, não possuirá o mesmo tipo sangüíneo do que nós, mas, já vive em nossa alma, nosso coração: tão desejado, esperado com todas as forças do meu coração.
Tentei, de diversas formas, em várias comarcas diferentes... Quando sonhamos devemos lutar pelos nossos sonhos...
Porém, a justiça é cruel e lenta...
Perdemos na nossa primeira tentativa: a justificativa da justiça...a bebe será encaminhada a um casal da comarca natural da bebe...
Depois de muitas lágrimas, muita decepção...entendi, mas jamais desisti...
Esta foi minha primeira perda!!!! e como dói... ainda lembro a dor que senti quando recebi o oficio da juiza...
Como aceitar uma perda?
Após meses de decepção, veio a noticia: nossa menina foi devolvida pelo casal adotante.O motivo não nos foi revelado. Apenas passamos a ser o casal escolhido para obter a nova guarda da bebe...Depois de muitas idas e vindas,cansaço e respostas desencontradas...esperamos uma resposta da justiça...
Não desisti... comecei nova batalha: procurar na minha comarca por nossa bebe...
Continuo tentando.
Tivemos muitas perdas, porém estamos mais fortes.
Entendemos hoje, que a minha gestação é diferente das demais, ela não dura 9 meses ou até 42 semanas, ela dura anos e, é feita de muita fantasia, esperança, é gerada com muita fé em Deus, porque independente de onde venha, da cor de pele, ou do tipo sangüíneo é gerada em minha alma e, isso sim é SER MÃE.
Ser mãe vai além do que gerar um filho no ventre, ser mãe é amar de forma incondicional, independente de qualquer coisa.
Estamos esperando, sabemos que Deus tem o melhor para nós...e logo nossa familia estará completa...
Esta é nossa maior batalha...
Para as pessoas que não nos acompanham,eu digo: é bem mais dificil a espera, as perguntas, as comparações...
Quando veres uma mãe de coração e alma,entenda, esperar 9 meses é uma bênção...mas saibam e nunca esqueçam: esperar por meses, ou anos, é bem mais difícil...
Mas aprendemos...e sabemos que nossa hora vai chegar...e quando assim Deus o fizer, seremos agraciados com a bênção divina...nossa vida se completa..
Amaremos muito, como já amamos....em nosso coração.
Não conheço o rostinho de minha filha, mas já sinto sua presença em minha vida...
Minha gestação é diferente....mas meu amor...ah, este não, este é IGUAL ao de todas as mães deste mundo."

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Boa noite amigos,
Fiquei um tempinho sem postar nada...estava ocupada “babando minha afilhada"...rsrsrs.
Mas voltei, e quero dividir com vocês algumas palavras sobre nosso projeto de ter nossa filhinha.
Vivemos a expectativa de sermos escolhidos os “pais” para nosso bebe.
Com tudo, vivemos um momento de incerteza, uma sensação de incapacidade... a demora frustra...e dói...(mulheres entendem melhor isso, homens têm uma maneira diferente de viver a expectativa).
Eu, futura mamãe,vivo uma gestação longa....
Essa "gestação" tem um tempo impreciso, podem ser anos ou dias (já vivo ele à 1 ano). Mas seja qual for o tempo, estamos preparados, com a certeza de que nosso bebê vai chegar e o "grande dia" da chegada virá repleto de alegrias, medos, incertezas,lágrimas...voltamos nossos olhos para a vida, e aguardamos...
Penso que a oportunidade surgirá no tempo certo...
Sempre pensei que objetivo é determinação, e determinação é coragem... mas descobri que coragem é tudo que se precisa.
Aprendi como é amar um filho não biológico... o que é o sofrimento de quem não pode gerar filhos e passa a gestar, simbolicamente, por anos a fio, um filho que ninguém sabe quando nascerá e com quem se parecerá; como é a alegria de uma criança que, talvez pela primeira vez, ao invés de chamar a pessoa mais amada que possui na vida de TIA, vai poder chamá-la de MAMÃE ou PAPAI.
Acreditem, não é fácil...as vezes nos deixamos cair...e chorar é a melhor solução.
Sonhei com o dia em que veria meu bebê nascer. Mas o que não sabia era que um filho pode nascer para mim, já tendo três, cinco, doze meses...
Imaginava como seria passar nove meses esperando a hora de ver o rostinho de nossa filhinha, treinando sobre como tornar-se uma mãe, daquelas mãezonas, sabe... aquelas que prepara o quarto como se fosse para uma princesinha, que fazem suas roupinhas, seus sapatinhos....
O que eu não sabia é que se pode acordar um dia e descobrir que para ser mãe, você precisa que uma outra “mãe” que não o queira ser, que não tenha condições de ser!!
Acordo a noite com uma frase ecoando em minha mente... “chegou a hora...E essa é sua” ...
Todos olham para você e pensam que sua vida é perfeita e que não lhe falta nada. Pensam que dor sente somente quem perdeu e não quem nunca teve.
Na vida a todo o momento tiramos novas lições, e eu...eu, aprendi que se pode passar o dia todo pensando simplesmente no momento de chegar em casa e ouvir "mamãe"...
Não existe esforço que não valha à pena, que por mais que imaginemos que amamos alguém, notamos que surge alguém que amamos ainda mais.
É muito difícil, a espera é longa e dolorida demais, sou forte e corajosa....mas as vezes caio...e levantar parece impossível...E acordo de manhã, olho para o céu e agradeço a Deus por mais um dia, pois assim, renovo a esperança de que pode ser este o dia...
E finalmente quando ela chegar, e pudermos segurá-la nos braços, descobriremos o quanto tudo valeu a pena..
E simmmmm... as lágrimas valem a pena, as noites pensando em como será nosso bebê, valem a pena....viver esta alegria, vale muito a pena...
Esperamos,com nossas forças renovadas, vivendo um dia de cada vez...e agradecendo sempre....Nossa menina vai chegar!!!!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012


Bom dia,

Estamos felizes e quero deixar aqui registrado.
No dia 19 de agosto de 2012, nasceu nossa afilhada BEATRIZ, nossa princesinha BIA.
Ficamos maravilhados com o convite de nossos amigos Diego e Daiane, para que fossemos padrinhos da menina deles.
Assim, acompanhamos esta gestação desde o inicio, pois,ela, Daiane é minha melhor amiga. Daquelas que a gente conta tudo sabe, divide tudo, as dores, as lágrimas e muitas risadas. Sou grata por t^-la em minha vida. E agora...com nossa linda afilhada, nossa amizade fica ainda mais concreta.

Divido com todos a foto de nossa Princesinha em seu primeiro dia de vida.

Abençoada BIA.


domingo, 5 de agosto de 2012

FILHOS DIFERENTES
Emmanuel

Provavelmente, conhecê-lo-ás no mais íntimo da alma: os filhos diferentes.
Conseguistes instruir os outros.
Encaminhá-los para o bem com facilidade.
Mas encontrastes aquele que não se afina com os teus ideais.
É um filho que não se erige à altura do padrão doméstico a que te elevastes, ou uma filha que te desmente a esperança.
Quando te observes perante um filho diferente, não te permitas inclinar o coração ao desespero ou à amargura. Ora e pede luz para o entendimento.
O Senhor te fará reconhecer-te à frente do companheiro ou da companheira de outras existências terrestres, que o tempo ocultou e que a Lei te oferece de novo à presença para que a tua obra de amor seja devidamente complementada.
Auxilia-os sempre e, mesmo nos dias em que a saraivada de críticas humanas te assedie a cabeça, conchega-os mais brandamente ao regaço de teu espírito; sem que o verbo humano consiga expressar as sensações de teu amor ou de tua dor, ante um filho diferente, sabes, no imo da alma, que ele significa o mais alto encontro marcado entre a tua presença e a bondade de Deus.
Francisco Cândido Xavier Da obra: Encontro Marcado. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Psicologia da Adoção



Márcia Fuga




Adotar uma criança não gerada biologicamente traz incertezas quanto ao seu desenvolvimento, preocupações com sua educação, mas também preenche uma lacuna dos pais adotivos, lacuna essa de poder amar e conviver com uma criança. Muitos são os conflitos internos desses pais quanto à criação desse filho adotivo; contar ou não sobre a adoção; como fazer isso; quando? Porém, nenhuma dificuldade pode sobrepor-se àqueles que adotaram de coração um filho, porque o laço de afetividade pura sobrepuja qualquer angústia momentânea, que é sempre uma oportunidade de aprendermos a amar mais.

A GESTAÇÃO EMOCIONAL DO FILHO ADOTIVO

Na maioria dos casos, a decisão de adotar uma criança decorre da impossibilidade de ter filhos biológicos. Essa impossibilidade pode ser do casal, ou exclusivamente de um deles. Um filho traz a sensação de valorização, a oportunidade de produzir coisas boas, de poder trocar afeto.

Quando o casal começa a conversar sobre a possibilidade de adotar uma criança, sobre as vantagens e dificuldades dessa atitude neste momento de suas vidas, eles passam a viver a etapa chamada de Gestação Emocional da adoção.

No decorrer desta espera que pode durar dias, meses, anos a ansiedade dos pais quanto ao aspecto físico da criança (sexo, cor de olhos e da pele, peso, etc.) e suas características emocionais, envolve as conversações entre os pais. Os temores quanto a herança biológica: doenças, mal formações; também fazem parte deste período.

Assim, o tempo que levaram desde o início da idéia de adoção até o seu florescimento (buscar a criança), corresponde a uma verdadeira gestação.

O momento de buscar a criança para trazê-la para casa equivale emocionalmente ao Parto: a expectativa de como será este encontro, como a criança é, como reagirá, desperta muita ansiedade. Nesta ocasião, que será de grande emoção, os pais poderão ter reações as mais diversas e confusas, tais como medo, insegurança, alegria, esses sentimentos também permeiam o universo dos pais biológicos quando têm seus filhos.

O Puerpério, período que dura mais ou menos 45 dias e corresponde ao pós-parto, é acometido de múltiplas emoções na qual a adaptação da criança aos pais se dá. Ao levar a criança para casa, os pais começam a praticar os cuidados com a criança, ou seja, alimentação, fraldas, troca de roupas, banho, etc. Durante esses cuidados diários a criança começa a adquirir o sentimento de pertencer àquela família, assim como os pais sentem que pertencem à ele. Todo esse manejo dá aos pais a sensação concreta que "criam" o filho, que ele é seu dependente e que precisa ser cuidado em tempo integral.

Nesse período, mais ainda quando o adotado é o primeiro filho do casal, os pais costumam sentir a responsabilidade de ter essa criança com eles, pode gerar dúvidas quanto ao erro ou acerto de tê-la adotado; pensam se vão sair-se bem nesta função, se são suficientemente bons, se estão preparados. Mas é também um período em que a vinculação entre pais e criança se estreita, onde o medo do abandono existe nos dois lados. Então, o menor gesto da criança de buscar auxilio dos pais representa a aceitação, daí todas as dúvidas são dissipadas porque aquela criança os reconhece como pais e os cativa. Os pais pensam "Nem lembramos que ela é adotada". "Para a criança o contato com os pais adotivos torna-os as pessoas centrais de sua vida"

PROTEGENDO O SEGREDO

Os pais adotivos que já "nem lembram" que seu filho é adotado, podem começar a ter em mente se devem ou não contar ao filho sobre sua origem. As dúvidas giram em torno de como contar, porque contar, como e quando!

O melhor modo de contar sobre a adoção é ter esse tema como um assunto que é "ventilado" naturalmente pelos pais desde o início do relacionamento com o filho. Não fazer desse assunto um tabu, um segredo a ser protegido.

A curiosidade da criança se acentua aos 3 anos de idade quando ela pergunta sobre o mundo que a circunda. Perguntando se são adotadas. Têm necessidade de saber sobre a origem das coisas. Portanto, o período infantil é o mais propício para contar a verdade.

Os pais que desejam omitir do filho o fato de ser adotivo precisam lembrar que a criança tem o direito de saber sua origem e buscar informações a esse respeito. É uma necessidade existencial do ser humano.

"...a revelação tem que ser feita com muito amor, com muito carinho. Reuna-os, ore com eles e diga que gostaria muito que tivessem nascido dela, mas que Deus resolveu diferente."(frase de Chico Xavier em Lições de Sabedoria por Marlene Nobre - FE)

Contar à criança que ela é adotada evitará que ela saiba por terceiros, de forma distorcida e equivocada. O importante é salientar que ela foi escolhida; que dentre todas as crianças os pais optaram por ela. Que o sentimento de amor por ela os cativou.

Mesmo tendo sido esclarecida sobre a adoção, a criança ainda perguntará inúmeras vezes sobre isso. Em todas as vezes deve-se manter o mesmo conteúdo de resposta, isto é, a resposta mais próxima da verdade.

É igualmente importante não expor aspectos negativos da família de origem, pois a tendência, quando se expõe os aspectos negativos, é a criança sentir-se desvalorizada, inferiorizada. Os adotantes podem responder: "Não sabemos porque sua outra mamãe não pode ficar com você mas acreditamos que ela gostaria muito de fazer isso. Agora você é nosso filhinho e nós te amamos muito."

O que devemos ter em mente é que a criança tem medo do abandono e os pais adotivos também têm.

ADOÇÃO À LUZ DO ESPIRITISMO

O espiritismo é muito claro quanto à questão da adoção de filhos: é um ato de amor incondicional.

"O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito" (Evangelho Segundo o Espiritismo - Kardec, A.)

Somos todos adotados pois que ninguém é propriedade de ninguém. Nosso filho de hoje poderá ser nosso pai amanhã, assim estabelece a lei da Reencarnação.

Um dos medos mais comuns das famílias adotantes é de que o filho adotivo venha a se tornar um marginalizado pois que já teve a rejeição materna e pode ser revoltado, e então, um marginal. Esse raciocínio se opera, primeiro devido ao preconceito de atribuir à criança uma herança de má índole, segundo porque se desconhece a Lei da Reencarnação. Ora, um filho biológico pode ser um espírito que reencarnou para resgate naquela família, causando-lhe muitos problemas; ao passo que, o filho adotivo, poderá ser um espírito afim, que vem para trazer felicidade. Ou vice-versa.

Desta forma, ter um filho adotivo ou biológico sempre será para a família um meio de ressarcir débitos pretéritos, direta ou indiretamente, e sejam esses débitos dela (família) ou dele (filho).

Jamais teremos nossas consciências em paz, enquanto houverem as injustiças sociais, os preconceitos, as negações afetivas adotar um filho, um amigo, um pai, uma mãe devem ser tarefas diárias para quem quer conquistar a sua própria evolução espiritual. Mas a adoção deve ser de coração, pois esse é laço indestrutível, permanente.

"Nossos filhos não são nossos filhos, são antes, irmãos.

Os corpos que têm são filhos dos nossos corpos, nada mais.

Os chamados filhos adotivos são os filhos do coração, estão unidos à nos por indestrutíveis laços espirituais.

Somos todos filhos uns dos outros."

(Lições de sabedoria - Marlene Nobre - FE)
(Psicóloga clínica com especialização em infância e adolescência, diretora de Psicologia do Pineal Mind Inst.de Saúde, Vice Presidente da ABRAPE

Fonte Internet: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICÓLOGOS ESPÍRITAS
http://www.promaster.com.br/abrape

(enviado por José Valdir
3 de março de 2010

FILHO ADOTIVO


Mãezinha querida: Eu sei que você me recebeu com a alma em festa, vestida de sonhos e esperanças. Em momento algum lhe passou pela mente que o fato de eu não lhe pertencer à carne pudesse alterar o nosso infinito amor. Eu venho de regiões ignotas e dos tempos imemoriais do seu passado, no qual estabelecemos estes vínculos de afeto imorredouro. .. Foi necessário que nós ambos nos precisássemos, na área da ternura, impedidos, porém, de nascer um da carne do outro, por motivos que nos escapam, a fim de que outra mulher me concebesse, entregando-me a você. Ela não se deu conta da grandeza da maternidade; não obstante, sou-lhe reconhecido, pois que, sem a sua contribuição, eu não teria recebido este carinho de mãe espiritual saudosa, nem fruiria da sua convivência luminosa, graças à qual eu me enterneço e sou feliz. Filho adotivo: Quantas vezes me golpearam com azedume, utilizando essas palavras ! O seu amor, todavia, demonstrou-me sempre que a maternidade do coração é muito mais vigorosa de que a do corpo. Não há mães que asfixiam os filhinhos, quando estes nascem? E outras, não há, que sequer os deixam desenvolver-se no seu ventre, matando-os antes do parto? No entanto, quem adota, o faz por amor e doa-se por abnegação. De certo modo somos todos filhos adotivos uns dos outros, pelo corpo ou sem ele, porquanto a unica paternidade verdadeira é a que procede de Deus, o Genitor Divino que nos criou para a glória eterna. Mãezinha de adoção é alma que sustenta outra alma, vida completa que ampara outra vida em desenvolvimento. Venho hoje agradecer-lhe, em meu nome e no daqueles filhos adotivos que, ingratos e doentes, pois que também os há em quantidade, não souberam valorizar os lares que os receberam, nem os corações que se dilaceram na cruz espinhosa dos sofrimentos em favor da vida e da segurança deles. Recordando-me da Mãe de Jesus, que a todos nos adotou como filhos, em homenagem ao Seu Filho, digo-lhe, emocionada e feliz: Deus a abençoe, mamãe, hoje e sempre!

Amélia Rodrigues

Postado por SÉRGIO RIBEIRO às 00:02
O texto a baixo,é bastante interessante. Esclarece algumas duvidas...e nos tranquiliza com relação a demora do resultado de nossa intensa busca...


Por Richard Simonetti



O casal aguarda ansiosamente um filho. Todavia, embora os médicos garantam que não há nenhum problema físico, o desejo não se concretiza. Sucedem-se alguns meses...Finalmente, admitindo que o filho não virá, marido e mulher resolvem adotar uma criança. Consumada a adoção, semanas mais tarde a esposa constata, feliz e surpresa, que está grávida. Em breve o lar é enriquecido com mais um filho. Afirmam os médicos que este fenômeno é freqüente. A incapacidade do casal em gerar filhos é motivada pela tensão desenvolvida em vista do desejo extremado de alcançar a paternidade, o que inibe o mecanismo biológico da reprodução. Ao adotar a criança, os cônjuges relaxam a tensão, sucedendo-se, normalmente, a concepção. Sob o ponto de vista espírita, não há aqui a mera influência de fatores determinados. Casais assumem perante a Espiritualidade o compromisso de cuidar de um filho adotivo, além dos nascidos de sua união. Se estes surgem primeiro, haverá a tendência para o casal sentir-se realizado nos seus ideais de paternidade, deixando de cumprir o planejamento feito. Então, mentores espirituais retardam por algum tempo os processos reencarnatórios marcados para aquele lar, até que se dê a adoção. Há Espíritos que reencarnam para serem filhos adotivos. Esta situação faz parte de suas provações, geralmente porque no passado comportaram-se de forma indigna em relação aos deveres familiares. Voltam ao convívio dos companheiros do pretérito sem laços de consangüinidade, o que para os Espíritos de mediana evolução representa sempre uma provação difícil, destinada a ensiná-los a valorizar a vida familiar. Harmoniza-se, assim, a situação de um grupo reunido no lar para serviços de resgate e reajuste, competindo aos pais o máximo de cuidado em favor daquele familiar que ressurge na condição de filho adotivo. Este, mais do que os outros, é alguém necessitado de muita compreensão e carinho, a fim de que, superando o trauma que fatalmente experimentará ao ter conhecimento de sua condição, aproveite integralmente os benefícios da experiência, sem marcas negativas em sua personalidade. A incapacidade de gerar filhos pode ter outras motivações. O casal, por exemplo, que em existências anteriores furtou-se às emoções de reter junto ao coração um rebento de sua carne, por não desejar problemas, orientando suas ações em termos de egoísmo a dois, preocupado apenas com prazeres e sensações, segurança e conforto, poderá experimentar a angústia da esterilidade. Em tais circunstâncias, os valores da abnegação e do amor podem ensejar perspectivas mais felizes. Seria o caso do casal sem filhos que se dedicasse de coração aos órfãos, quer trazendo-os carinhosamente ao convívio do próprio lar, que participando de instituições destinadas a dar-lhes amparo e assistência. Por terem abraçado filhos de lares alheios, ambos acabariam compensados com a alegria de abraçar seus próprios filhos. Não pretendemos sugerir que todo casal sem filhos os terá, desde que parta para a adoção, seja porque deve receber primeiro o adotivo, seja porque o adotivo lhe dará méritos necessários. Cada caso tem suas particularidades e ninguém pode avaliar a extensão dos compromissos assumidos por aqueles que experimentam a frustração de seus anseios de paternidade. O que se pode afirmar é que o filho adotivo constitui sempre um treino dos mais nobres no campo da fraternidade, Nada mais meritório aos olhos de Deus, e talvez raros serviços na Terra sejam tão compensadores em termos de Vida Eterna. Quando os homens compreenderem isso, não teremos mais orfanatos, porque toda criança sem pais encontrará corações generosos dispostos a dar-lhe carinho e amparo no próprio lar, semeando Amor para um mudo melhor.

Fonte: Brasil Espírita, Fevereiro de 1972